Diante de tantas conclusões sobre o preconceito de sexo, raça, religião, classe social, peso ou etc.
Bom, sei lá, eu que já fui discriminada não descaradamente, nem abertamente, discriminada pela tangente, deixada de lado, considerada como abaixo, obtusa, esquisita... creio que não há nada de errado com o pré-conceito, o errado do preconceito é o pré-conceito que não é questionado, é a idéia, do senso comum ou da própria insensatez, é difícil dizer, complicado, é não mudança de idéias centralizada em um motivo falho e sem motivação, que é passado de pai pra filho, geração em geração e quem o questiona é o não conservador.
O engraçado é que as vezes a gente sente preconceito com a gente mesmo, eu sou gorda, baixa, mulata... E ainda ficamos bravas com quem acha isso de nós, ou seja eu mesmo me acho e me critico mais ninguém pode me criticar e eu posso criticar a mim mesmo?
Fica aí a pergunta...
Eu tava encostado ali minha guitarra
num quadrado branco, vídeo papelão
eu era um enigma, uma interrogação
olha que coisa
mas que coisa à toa, boa, boa, boa, boa, boa
eu tava com graça...
tava por acaso ali, não era nada
bunda de mulata, muque de peão
tava em Madureira, tava na Bahia
no Beaubourg, no Bronx, no Brás
e eu, e eu, e eu, e eu
a me perguntar
eu sou neguinha?
era uma mensagem
lia uma mensagem
parece bobagem mas não era não
eu não decifrava, eu não conseguia
mas aquilo ia, e eu ia, e eu ia, e eu ia, e eu ia
eu me perguntava
era um gesto hippie, um desenho estranho
homens trabalhando, para e contramão
e era uma alegria, era uma esperança
era dança e dança ou não, ou não, ou não, ou não, ou não
tava perguntado:
eu sou neguinha?
eu sou neguinha?
sou neguinha.......
eu sou neguinha?
sou neguinha.......
eu tava rezando ali completamente
um crente, uma lente, era uma visão
totalmente terceiro sexo
totalmente terceiro mundo terceiro milênio
carne nua, nua, nua, nua, nua, nua
era tão gozado
era um trio elétrico, era fantasia
escola de samba na televisão
cruz no fim do túnel, beco sem saída
e eu era a saída, melodia, meio-dia, dia, dia, dia
era o que eu dizia:
eu sou neguinha?
mas via outras coisas: via o moço forte
e a mulher macia dentro escuridão
via o que é visível, via o que não via
e o que poesia e a profecia não vêem
mas vêem, vêem, vêem, vêem, vêem
é o que parecia
que as coisas conversam coisas surpreendentes
fatalmente erram, acham solução
e que o mesmo signo que eu tento ler e ser
é apenas um possível e o impossível
em mim, em mil, em mil, em mil, em mil
e a pergunta vinha:
eu sou neguinha?
Que a voz roca daqueles que se comprometem não seja calada pelo silêncio daqueles que somente acreditam.


0 comentários:
Postar um comentário